Chegamos ao nosso 6º Congresso Brasileiro de Psicologia: Ciência e Profissão.

Ao longo de 20 anos, o CBP tem congregado psicólogas, professoras, estudantes, profissionais de áreas afins, usuárias de serviços de Psicologia, buscando dar a conhecer o que realizamos nos muitos lugares em que a Psicologia faz-se presente e atua, bem como dialogar, refletir, produzir coletivamente princípios e caminhos, a partir das demandas sociais e dilemas que afetam nossos povos, nos distintos momentos de nossa história.

Temos buscado, ainda, ampliar nossos horizontes e interlocutores, de modo especial com os demais países latino-americanos e com os países africanos de língua portuguesa. Se somos distintos em nossa riqueza cultural e histórica, somos também irmãos em nossa condição de países colonizados, que lutam por autonomia financeira e cultural e construção de saberes emancipatórios e descolonizados.

Criado pelo Fórum Nacional das Entidades da Psicologia Brasileira – FENPB, o CBP cumpre um relevante papel, ao reunir os mais diversos setores do fazer psi, convidando-nos a pensar juntas sobre os problemas que afetam nossa gente, produzem opressão e sofrimento, e nas contribuições que pode a Psicologia oferecer, na perspectiva de transformações sociais que visem ao bem comum.

Assim, neste 6º CBP, a crise econômica, cultural, política e ética que assola nosso país desde 2018 e os efeitos da vivência da pandemia certamente estarão no centro de nossos debates. Não se tratam aqui de duas temáticas isoladas, ao contrário, cumpre compreender os entrelaçamentos entre uma crise arquitetada e seus efeitos no combate tardio, omissão e desigualdade no enfrentamento da pandemia.

Imersa nesse cenário, constituída na trama das relações sociais e culturais brasileiras, a Psicologia comemora os 60 anos de sua regulamentação como profissão, e certamente temos muito a contar, mostrar, trocar e a contribuir para pensar nosso tempo, nossos dilemas e o futuro do país. Constituídas na relação com o mundo, a cultura, o tempo, urge compreender as subjetividades imersas na cultura da violência, do indivíduo acima da coletividade, do opinativo acima da verdade.

Que o uso do feminino ao longo deste texto, seja entendido no sentido amplo da referência a pessoas, às múltiplas subjetividades constituídas na relação com o mundo, e na perspectiva do reconhecimento de que a Psicologia brasileira compõe-se majoritariamente por mulheres, portanto o uso do feminino também expressa essa realidade, sem, contudo, excluir ou deslegitimar as múltiplas identidades que se apresentam e se farão presentes no CBP.

Se as estratégias hegemônicas nos empurram para as saídas individuais, para as rotulações e discriminações de toda ordem, se as carências e necessidades humanas produzidas no contexto do capitalismo colonial são atreladas e justificadas pelo discurso racista, machista, LGBTQIA+fóbico, anti-pobre, anti-ciência, antieducação e educadoras, o pensamento crítico e a Psicologia do compromisso social exigem o coletivo, o diálogo aberto entre distintos saberes e perspectivas de prática, a escuta e acolhimento do sofrimento humano, a busca constante por uma Psicologia que se constrói e reconstrói a cada dia no plural, no diverso.

Para isso estaremos reunidas neste 6º CBP – com consciência e força, “com açúcar, com afeto”.

Sejam todas bem-vindas!